Enrolado com dívidas no início do ano? Saiba como organizar o pagamento

Escolha entre parcelamento ou pagamento à vista depende do juro cobrado nas parcelas da dívida

Yolanda Fordelone, do Economia & Negócios

SÃO PAULO – Todo início de ano é um período carregado de compromissos financeiros. Entra na lista de obrigações o pagamento de vários impostos, da matrícula e material escolar, entre outros. Para quem organizou o orçamento e chega a este período ainda com dinheiro no bolso, o dilema é escolher entre o pagamento à vista ou parcelado. “A regra geral indica que sempre o pagamento à vista é melhor opção, mas é preciso comparar as alternativas”, afirma o professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e colunista de O Estado de S. Paulo, Fábio Gallo.

“Apesar de aparecerem nessa época especificamente, são gastos ordinários, recorrentes e inevitáveis, que já devem ser incorporados ao orçamento das famílias durante o ano”, diz o professor do Insper, Ricardo Humberto Rocha, ao sugerir a criação de um orçamento mensal para estas despesas de início de ano. “Basta somar todas as despesas que ocorrem nesse período, inclusive férias, somar a elas uma inflação, de 5% ao ano, por exemplo, e dividir por 12 para saber quanto do orçamento precisaria ser economizado para chegar tranqüilo em janeiro”, explica o professor da Fipecafi e consultor, Silvio Paixão.

Enrolado com dívidas no início do ano? Saiba como organizar o pagamento

Segundo especialistas, quem consegue seguir a recomendação e chegar no início do ano com um dinheiro extra deve tomar a decisão entre o pagamento à vista ou parcelado de acordo com os descontos oferecidos, o juro das aplicações conservadoras e a taxa do parcelamento. No caso dos impostos, dizem especialistas, o contribuinte deve avaliar se é possível obter o valor do desconto oferecido em uma aplicação conservadora, como a caderneta de poupança ou os fundos de renda fixa ou DI.

“Geralmente a conclusão é de que os descontos do IPVA [Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores] e do IPTU [Imposto sobre a propriedade Predial e Territorial Urbana] são vantajosos”, afirma Rocha. Em 2010, o IPVA em São Paulo pode ser pago à vista com desconto de 3% ou o em três parcelas, enquanto o IPTU à vista oferece desconto de 6% e pode ser dividido em dez vezes.

“Em geral, se é oferecido um desconto de 1% ao mês ou mais, já vale a pena o pagamento à vista”, calcula Gallo. Isso porque, com o juro baixo, a rentabilidade das aplicações financeiras mais conservadoras – indicadas nesses casos porque o investimento será feito por um curto prazo – tem ficado abaixo disso.

Juro do financiamento

Especialistas lembram que toda operação de parcelamento embute um juro. Assim, mesmo nas compras de material escolar, é necessário observar a taxa que está sendo cobrada. A lógica é a mesma do imposto: apenas se a taxa de desconto for maior que o juro da aplicação conservadora é interessante pagar à vista.

“O caso é que muitas vezes o consumidor se depara com uma situação em que a loja faz a propaganda de oferecer parcelamento sem juros. Não existe isso”, comenta Gallo. Segundo ele, nesses caso, o vendedor já embutiu o juro do parcelamento no próprio preço do produto. Sendo assim, o comprador deve argumentar para tentar conseguir um desconto à vista. Se a loja insistir em cobrar o mesmo valor do parcelamento, dividir o pagamento se torna mais interessante.

No caso de quem não possui o dinheiro para pagar à vista, há ainda a opção de pegar um parcelamento. Nessa situação o que deve ser comparado são os valores das parcelas do pagamento parcelado e do empréstimo (veja infográfico). “Uma opção é tentar conseguir um crédito consignado em folha de pagamento ou um adiantamento do 13º salário, já a partir do segundo semestre”, comenta Rocha.

Fonte: Estadão

Se você gostou desse post ou tem alguma dúvida relacionada ao texto, deixe um comentário ou assine nosso feed e receba futuros posts e artigos em seu leitor de feed.

Deixe um comentário

(Obrigatorio)

(Obrigatorio)