Cheque especial cai e consignado toma espaço

Por Gisele Tamamar do Jornal da Tarde

As operações de crédito consignado cresceram 31,2% em um ano, passando de R$ 65,1 bilhões em julho de 2009 para R$ 85,4 bilhões no mesmo mês 2010.

O cenário mostra que o brasileiro está buscando alternativas mais baratas para pagar suas dívidas, como é o caso do crédito com desconto em folha de pagamento. Neste movimento, está recorrendo menos às modalidades mais caras, como o cheque especial, que registrou o menor crescimento, de 1,1%, das linhas de empréstimo para pessoa física. Os dados são da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

De acordo com Jayme Alves, economista sênior da Febraban, o crédito consignado vem crescendo desde 2004, com taxa anual de cerca de 40%. “A modalidade é mais disseminada entre funcionários públicos e aposentados do INSS, mas começa a ganhar espaço entre os trabalhadores do setor privado”, diz.

O vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel Ribeiro de Oliveira, destaca que todas as formas de crédito estão em alta, reflexo do bom momento da economia. Segundo ele, as linhas que mais cresceram (consignado, habitação e veículos) são justamente as que têm bens como garantia e, por isso, proporcionam uma maior segurança para os bancos.

“O banco visualiza um risco de inadimplência menor a longo prazo e o consumidor com emprego garantido também se sente seguro e motivado a se endividar. São duas vertentes trabalhando simultaneamente”, explica.

Oliveira observa que, para quem toma o empréstimo, o consignado tem vantagens em relação a outras modalidades, com menos restrições, prazo mais longo (até 60 vezes) e taxas de juros menores. A média é de 2% ao mês, enquanto os juros do crédito pessoal estão ao redor de 4,85% ao mês e os do cheque especial não ficam por menos de 7,47%.

Foi pensando nessas vantagens que a diretora de finanças do Sindicato Nacional dos Aposentados, Lindinalva dos Santos Pereira, de 62 anos, optou pelo crédito consignado. Após comprar um carro em 2009, ela se atrapalhou com as despesas e precisou recorrer ao empréstimo de quase R$10 mil. Este ano, com valores pendentes no cartão de crédito, ela não teve dúvida. Contratou mais R$ 1 mil, que será quitado em dez parcelas. “Os juros do cartão são muito caros, em torno de 15%, e o consignado é mais vantajoso”.

O professor Rafael Florêncio, 27 anos, pegou dinheiro emprestado no banco para comprar um computador, mas teve dificuldade em pagar as últimas parcelas. “Fiz uma simulação no site de outro banco e resolvi contratar o crédito com desconto em folha, que tem juros mais baixos, para resolver a situação”, diz. Ele dividiu o valor em 16 parcelas de R$ 196.

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